Registros apontam dupla jornada de Valéria Silveira em Maiquinique e Itabuna e levantam suspeitas sobre compatibilidade de horários
Atual prefeita aparece nos portais da transparência vinculada simultaneamente aos dois municípios, com cargas horárias que, somadas, alcançariam 80 horas semanais
Informações disponíveis nos Portais da Transparência de Maiquinique e Itabuna revelam uma situação que poderá ser encaminhada ao Ministério Público para apuração. A atual prefeita de Maiquinique, Valéria Ferreira Silveira Moreira, aparece nos registros públicos como servidora dos dois municípios durante períodos coincidentes, com jornadas declaradas de 40 horas semanais em cada vínculo.
No Portal da Transparência de Itabuna, Valéria aparece contratada para o cargo de Técnica Administrativa, com remuneração bruta mensal próxima de R$ 2,5 mil. Somente no ano de 2022, os pagamentos registrados somaram R$ 22.791,06 brutos.
Ao mesmo tempo, a consulta ao Portal da Transparência de Maiquinique indica que ela permaneceu vinculada ao quadro efetivo municipal, no cargo de Auxiliar Administrativo I, também com carga horária de 40 horas semanais, durante o mesmo período em que esteve contratada em Itabuna.
A sobreposição dos vínculos representaria, em tese, uma jornada total de 80 horas por semana, equivalente a aproximadamente 16 horas diárias de trabalho, sem considerar o tempo necessário para deslocamento entre os dois municípios.
Maiquinique e Itabuna estão separadas por cerca de 193 quilômetros, com viagem estimada em aproximadamente duas horas e quarenta minutos por trecho. Diante dessa distância, surge uma questão objetiva: como seria possível cumprir integralmente duas jornadas diárias em municípios tão distantes?
Os dados públicos não permitem, por si sós, afirmar definitivamente a ocorrência de fraude. Contudo, a coincidência dos períodos, a soma das cargas horárias e a distância entre as cidades constituem fortíssimos indícios de possível incompatibilidade funcional, exigindo a apresentação das folhas de frequência, escalas, locais de lotação, atos de contratação e comprovação dos serviços efetivamente prestados.
A situação também chama atenção pelo fato de Valéria Silveira, à época, manter relação política com o então prefeito de Itabuna, Augusto Castro, circunstância que reforça a necessidade de apuração independente e transparente.
Os documentos e registros deverão ser encaminhados aos órgãos de controle para que sejam investigadas eventuais irregularidades, como acumulação incompatível de vínculos públicos, ausência de frequência, pagamento sem a correspondente prestação do serviço ou outra forma de irregularidade administrativa.
A reportagem ressalta que não há condenação ou conclusão definitiva sobre fraude, cabendo aos órgãos competentes analisar os documentos e assegurar o contraditório. O espaço permanece aberto para que Valéria Silveira e as prefeituras de Maiquinique e Itabuna apresentem esclarecimentos.
Quando há dinheiro público envolvido, transparência não é perseguição: é obrigação.

















































